Aprende-se

Eu aprendi. As lutas marciais me ensinaram. Foram pedagógicas para além dos tatames, das áreas de lutas e das competições. Por mais que desejemos um resultado positivo, a grande vitória não reside em vencer o outro, mas em vencer a si mesmo. A luta marcial e a luta da vida habitam em vencer a si mesmo. O grande feito está em se superar. O desejo de encarar o medo e de ultrapassar obstáculos é mais importante do que submeter adversários. A capacidade resiliente de encarar aquilo que é difícil vai nos moldando.

Perdemos! Sempre acontecem derrotas nas lutas e na vida. Mas, a despeito delas, podemos continuar e aprender com o que aconteceu. Os erros podem ser incorporados para futuros acertos. Assim, vamos crescendo. Tal qual a vida, na luta marcial, aprende-se que o caminho é não desistir. É superação. É se reinventar. Nada é fácil na luta marcial e na vida também não é. Somos machucados e, por vezes, recorrentemente. Esses eventos que machucam nos pregam peças e acontecem quando menos esperamos ou quando estamos bem durante a jornada.\

Ao acontecerem (porque sempre acontecerão), haveremos de acreditar que temos capacidade de mudar e de nos reestruturar. Então, aprendemos que a questão está em nós mesmos. Que precisamos nos vencer. Acreditem em mim! A terceira pessoa, ou seja, o outro ou o externo a nós, não é a grande questão, por mais que possam ser problemáticos. Aprendamos a nos superar e a manter uma jornada confiante. Dia após dia, podemos mudar histórias tristes. Dia após dia, podemos nos aprimorar e ser melhores do que no dia anterior. As artes marciais me ensinaram isso. Atrevo-me a afirmar que mais do que textos e livros base da medicina. O tatame ensina, e como ensina…

Régis Barros

Publicado em: 19/02/26